Contador ligado a Lula “ganha” 640 vezes na Mega Sena.

Um depoimento sigiloso obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo revelou que João Muniz Leite, contador que prestou serviços tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao seu filho, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), ganhou prêmios de loteria 250 vezes, somando cerca de R$ 20 milhões em prêmios, segundo a própria declaração dele à polícia. 

No mesmo depoimento, Muniz admitiu ter trabalhado por cerca de cinco anos para Anselmo Becheli Santa Fausta — conhecido como Cara Preta — um traficante do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação policial constatou que o uso frequente de apostas com valores superiores aos prêmios recebidos pode ter sido uma forma de “esquentar” dinheiro ilícito, fato que levou ao bloqueio de R$ 45 milhões em bens, incluindo imóveis e veículos vinculados ao contador e a integrantes da organização criminosa. 

Contador do Lulinha, filho do Lula, também realizou serviços para o próprio Lula

Embora a defesa do contador e representantes do Planalto insistam que “as investigações nunca atingiram Lula ou seu filho”, a proximidade profissional de Muniz com figuras tão sensíveis quanto o compadre do presidente — o advogado Roberto Teixeira, por exemplo — e seu envolvimento em casos que tocaram a Operação Lava Jato expõem um problema maior: a fragilidade com que o entorno do PT lida com circulação de pessoas e valores em meio à economia informal. 

Esse episódio além de político tem forte componente ético. É preocupante que alguém que aparece associado por tanto tempo a uma família presidencial também esteja no meio de operações que incluem lavagem de dinheiro e vínculos com uma facção criminosa poderosa. A insistência do PT em minimizar conexões quando há evidências de atuação em setores vulneráveis ao crime organizado alimenta uma percepção de leniência ou conivência que o partido prometeu superar. 

Caso expõe as ligações ocultas entre detentores de poder e situações inexplicáveis do cotidiano

No fim das contas, mais do que um caso isolado sobre loterias ou contabilidade, essa história levanta uma questão que deveria incomodar qualquer cidadão: se há personagens que transitam entre o centro do poder e relações com figuras vinculadas ao crime organizado sem explicações públicas convincentes, como pode a sociedade confiar na retórica de ética e moralidade que o PT proclama?