Dia Mundial da Síndrome de Down: Reabilitação do Crer ajuda pacientes a conquistarem autonomia em Goiás

Acompanhamento multiprofissional fortalece independência e inclusão social de pessoas com a condição genética atendidas na unidade

Autonomia, inclusão e qualidade de vida são conquistas cada vez mais presentes na vida de pessoas com Síndrome de Down atendidas pelo Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), uma unidade da Secretária de Estado da Saúde de Goiás. No Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, a unidade destaca como o acompanhamento multiprofissional tem sido fundamental para estimular o desenvolvimento e a participação social dos 39 pacientes com a condição genética da unidade.

A data foi escolhida por fazer referência à trissomia do cromossomo 21, característica genética que atinge um em cada 1 mil nascidos em todo o mundo. Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011, o Dia Mundial da Síndrome de Down busca ampliar a conscientização sobre os direitos, o potencial e a inclusão das pessoas com a condição na sociedade.

De acordo com o diretor técnico assistencial do Crer, Alan Anderson Fernandes, a Síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença de um cromossomo extra no par 21. “Essa alteração genética está presente desde a concepção e pode influenciar o desenvolvimento físico e intelectual da pessoa. No entanto, o desenvolvimento está intimamente relacionado aos estímulos e aos incentivos que recebem, sobretudo nos primeiros anos de vida”, explica.

No Crer, pacientes com Síndrome de Down, principalmente em idade infantil, recebem acompanhamento de uma equipe multiprofissional formada por terapeutas ocupacionais, psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos e musicoterapeutas. O trabalho conjunto contribui para o desenvolvimento motor, cognitivo e social, estimulando habilidades que favorecem maior autonomia nas atividades do dia a dia.

A pequena Agnes Maria Lôbo, de 3 anos, por exemplo, é uma das pacientes atendidas na unidade. A mãe, Wanessa Lôbo, conta que o diagnóstico foi percebido por ela ainda na sala de parto. “Ao olhar para minha filha, já identifiquei que ela tinha a síndrome de Down. Foi um momento de muitas dúvidas e medos, porque não tínhamos convivência com nenhuma pessoa com deficiência”, relembra.

Segundo ela, uma das principais preocupações da família era entender como apoiar o desenvolvimento da filha. “A gente se perguntava por onde começar, se ela conseguiria ter autonomia, se seria aceita na escola e na sociedade, se conseguiria se desenvolver fisicamente e intelectualmente”, relata.

Agnes iniciou o acompanhamento com especialistas do Crer em 2024, com apenas 1 ano de idade, e começou as terapias em 2025. Atualmente, realiza sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional e equoterapia. De acordo com a mãe, a reabilitação tem sido essencial para estimular o desenvolvimento da criança. “Por causa da hipotonia (diminuição da resistência muscular ao movimento), as conquistas físicas exigem mais esforço. Desde bebês, eles precisam de estímulos para fortalecer o pescoço, rolar, sentar e andar. Depois vêm outros desafios, como a fala e a autonomia nas atividades do dia a dia”, explica.

Já a história da adolescente Yammane Vytória, de 14 anos, evidencia uma outra fase da reabilitação do paciente com Síndrome de Down, voltada ao processo de amadurecimento. A mãe, Rejane Barbosa, conta que Yammane Vytória vive a adolescência com autonomia, estuda em escola regular e mantém as terapias para apoio no desenvolvimento. “Ela gosta de dançar, de se maquiar como qualquer adolescente e sonha em trabalhar no futuro. Quer ser fotógrafa, como os pais”, conta a mãe.

A inserção dos jovens em ambientes além da esfera familiar favorece o crescimento individual e o desenvolvimento de habilidades pessoais, econômicas e afetivas. Para a supervisora da Clínica Intelectual do Crer, Sofia Gomes, o acompanhamento especializado tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas com Síndrome de Down. “Com intervenção adequada, muitas pessoas com Síndrome de Down conseguem desenvolver autonomia para estudar, trabalhar, realizar atividades cotidianas e participar ativamente da vida social. O objetivo da reabilitação é justamente ampliar essas possibilidades.”, explica.

A especialista também ressalta o papel essencial da família no processo terapêutico. “Quando os cuidadores participam das orientações e estimulam as habilidades em casa, o desenvolvimento tende a ser ainda mais significativo. O trabalho em conjunto entre equipe e família fortalece os resultados”, afirma.

Para famílias que recebem o diagnóstico, Wanessa deixa uma mensagem de acolhimento. “Olhe para o seu filho ou filha, e não para o diagnóstico. No início tudo é muito intenso e assustador, mas com o tempo as conquistas vão chegando. Cada evolução traz muitas alegrias”, afirma.

A reabilitação do Crer não trata apenas de habilidades clínicas, mas de ampliar caminhos para participação, independência e inclusão na sociedade. Com atendimento especializado e foco na qualidade de vida, o Crer reforça o compromisso com a inclusão e com a promoção de qualidade de vida para pessoas com Síndrome de Down e suas famílias.