Nos meses de abril e maio, o público goianiense poderá assistir a dois espetáculos de teatro de animação que têm personagens femininas no centro de suas dramaturgias. O Projeto Vozes Animadas, da Cia de Teatro Nu Escuro, vai levar o espetáculo “Plural” aos palcos do Teatro Escola Basileu França na próxima quinta-feira (2/4). Serão duas apresentações gratuitas, às 14h e às 19h. Ao final, haverá um bate-papo sobre dramaturgia feminina,. No mês de maio, o grupo vai apresentar “Barbas”, outro espetáculo de teatro de animação. Este projeto tem apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Criado em 2012 pela Cia de Teatro Nu Escuro, Plural chega em 2026 celebrando 13 anos de trajetória e permanência nos palcos, como um daqueles raros espetáculos que resistem ao tempo por sua delicadeza, profundidade e beleza formal. Sob a direção precisa da bonequeira e atriz Izabela Nascente, e com dramaturgia assinada por Hélio Fróes, Abilio Carrascal e pela própria diretora, a montagem revisita o universo da infância com um lirismo que transforma a memória em matéria teatral.
O Projeto

A proposta do grupo, ao levar estes trabalhos de formas animadas a diferentes públicos, é enriquecer o cenário cultural e educacional de Goiânia. “A realização deste projeto reside na necessidade de promover a cultura teatral e fomentar discussões sobre temas relevantes no universo das dramaturgias feministas”, compartilha Izabela Nascente, diretora dos trabalhos.
Todas as ações do projeto visam ampliar a compreensão e valorização das narrativas femininas no teatro. “Acreditamos que este projeto contribuirá para a formação cultural da cidade de Goiânia. Ele não se limita a apresentar espetáculos, mas também pretende criar um espaço de troca e aprendizado mútuo, fortalecendo a cultura teatral e incentivando o debate sobre questões sociais importantes como protagonismo feminino, saúde mental e a arte como elemento transformador, estimulando a apreciação teatral e a reflexão crítica sobre temas contemporâneos”, compartilha Nascente.
O espetáculo

No centro da narrativa de “Plural” está Maria, uma menina que rememora sua vida aos sete anos de idade, atravessando os limiares entre o mundo rural e o urbano. Esse deslocamento, vivido com olhos infantis, torna-se um espelho multifacetado dos afetos, medos, violências e descobertas que moldam a identidade. A peça se constrói como uma tapeçaria de lembranças, costurada por cenas que alternam o trágico e o cômico, o drama e a poesia, numa dramaturgia que aposta na potência dos contrastes.
O teatro de bonecos, aqui, não é apenas linguagem, mas linguagem expandida: os bonecos ganham vida ao lado de atores e atrizes que cantam, dançam e executam ao vivo cantigas populares, criando uma experiência sensorial que remete à infância como um lugar de brincadeira e resistência. Projeções de vídeo, música e animação se entrelaçam num jogo cênico que transforma o palco num caleidoscópio poético, onde cada fragmento revela novas cores da memória.
Mais do que contar uma história, Plural convida o espectador a mergulhar num tempo afetivo, onde a fragilidade e a força coexistem. É uma obra que emociona sem jamais subestimar a inteligência sensível de seu público, um espetáculo que, mesmo após mais de uma década, segue atual por sua forma inventiva e por sua capacidade de tocar camadas profundas da experiência humana.








