Maria da Penha nas escolas realiza formação gratuita para profissionais de educação

Vagas são limitadas e inscrições seguem até dia 17 de abril

O projeto goiano Maria da Penha nas Escolas vai realizar uma formação 100% on-line para educadores de todo o país. O curso, que será ministrado no dia 29 de abril, está com inscrições abertas e vai explicar como abordar a Lei Maria da Penha em ambiente escolar, além de auxiliar na identificação de sinais de violência (física, psicológica, moral, sexual e patrimonial) e direcionar os fluxos de acolhimento dentro da escola. No total são 50 vagas e podem participar professores, gestores e coordenadores de escolas públicas e privadas.

No último dia 25 de março, os ministérios da Educação (MEC) e das Mulheres assinaram a portaria de regulamentação da Lei Maria da Penha Vai à Escola (nº 14.164/2021), para incluir conteúdo sobre a prevenção a todas as formas de violência contra crianças, adolescentes e mulheres nos currículos da educação básica. A lei determina que a produção de material didático relativo aos direitos humanos e à prevenção da violência contra a mulher deve ser adequada a cada nível de ensino. O trabalho, já feito pelo projeto goiano, agora será realidade nacional.

Idealizadora da Skambau Produções, que fundou e realiza o Projeto Maria da Penha nas Escolas, Manoela Barbosa explica que o projeto nasceu em 2016 e utiliza literatura infantil em quadrinhos para conscientizar crianças. No total, já distribuiu mais de 65 mil exemplares em 77 cidades de cinco estados brasileiros. No último mês de março, uma caravana do projeto percorreu 12 cidades goianas e distribuiu 20.250 exemplares. Foram envolvidos mais de 8 mil alunos e professores em 50 atividades presenciais. As ações também englobaram mulheres da agricultura familiar.

O livro em quadrinhos que tem como público crianças a partir de 10 anos traz a história da farmacêutica cearense que deu nome à Lei e se tornou símbolo na luta contra a violência. Além da versão colorida para alunos e profissionais de Educação, o projeto conta com uma versão do livro em tamanho ampliado e braille para pessoas com deficiência visual. Em 2026, o projeto foi realizado com recursos do Programa Goyazes 2025 do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e patrocínio da Equatorial Energia. A Viação Carvalho foi responsável pela logística de transporte.

Manoela reforça a importância de falar sobre violência contra a mulher e de realizar as ações com crianças, adolescentes, com professores e também com mulheres da agricultura familiar. “Apenas no primeiro semestre de 2025, o Mapa da Violência apontou uma média de 187 estupros por dia no Brasil. Além disso, foram mais de 1.400 casos de feminicídio segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025. São pelo menos quatro mulheres mortas por dia. Os números são crescentes e alarmantes”, completa.

Em todo o país, 71% das agressões ocorreram na frente de outras pessoas, incluindo crianças. As vítimas, por sua vez, são em maioria, mulheres jovens com idades entre 25 e 34 anos (21%). Além disso, a maior parte dos casos de feminicídio (64,3%) ocorreu dentro de casa. “Levar essa discussão para as escolas é possibilitar que essas crianças e jovens aprendam, desde cedo, a identificar o que é violência e quem sabe proporcionar um futuro diferente para cada uma delas. Estamos ensinando para as meninas os sinais de alerta e as formas de buscar ajuda e buscando informar e educar os meninos para que eles não se tornem agressores. Essa é uma tarefa coletiva, é uma política pública necessária e urgente”, acrescenta Manoela.