“O luto não acontece apenas no diagnóstico de uma deficiência, ele vem em ciclos ao longo da vida”, afirma presidente do Instituto Nacional de Nanismo

Durante edição do CafézINN, psicóloga Mirella Nery falou sobre a ressignificação e o sofrimento diante das expectativas

O Instituto Nacional de Nanismo (INN) promoveu uma discussão importante durante a última edição do CafézINN: o luto e a negação do diagnóstico. O encontro, que foi realizado no Instituto Total, em Goiânia, contou com a participação da psicóloga Mirella Nery e famílias de crianças e jovens com nanismo.

O bate-papo foi mediado pela presidente do INN, Juliana Yamin e transmitido pelo Youtube. Entre os pontos discutidos: o luto que não se resume ao diagnóstico mas que passa por diferentes fases ao longo da vida.   “O luto é um movimento interno que eu entro quando algo morre: uma pessoa ou algo dentro de mim. Desde o momento em que a família sabe de um diagnóstico como o de nanismo, por exemplo, ela precisa enterrar muitas coisas, muitos sonhos, muitas expectativas, muitos planos, muitas possibilidades.

A mudança é drástica e em cada fase é necessário se despedir dessas expectativas. E quando a gente fala que superou, isso é irreal. Porque eu posso ter superado a demanda da infância, mas a da fase adulta é completamente diferente. E muitas vezes acreditamos que o luto de um filho com deficiência é exclusivo da família. E não é bem assim. A pessoa que começa a conviver e aquela não é a realidade dela, também passa por luto e talvez a gente não tenha consciência disso”, acrescentou Mirella.

Juliana também ressaltou que esse sentimento vai revisitando as famílias ao longo da vida em formato cíclico e com diferentes expectativas e desafios. “Às vezes a gente se engana achando que o luto vem para o pai, para a mãe, no momento em que acontece um diagnóstico, mas na verdade não é só isso. Eu acho que esse luto é algo que vem em ciclos. Então, ele acontece com a família sim, no momento do diagnóstico, mas ao longo da vida, em diferentes momentos, precisa voltar e visitar esse sentimento.

Vejo momentos muito específicos: na gestação ou no nascimento, quando essa criança vai pra escola… esse susto, esse medo, essa ansiedade volta. As mães não sabem como essas crianças vão ser recebidas, então é um momento muito tenso. Depois, quando a criança descobre e toma consciência desse diagnóstico”, completou a presidente do INN.

Mirella abriu o coração e falou ainda sobre o próprio luto vivido: uma mulher que não conseguiu ter filhos. E nesse exemplo, tentou explicar mais sobre o luto e sobre como ele geralmente está relacionado a um preconceito e ao medo de quebrar uma expectativa que nem sempre é particular, mas que vem do outro. “A gente sofre sempre pelo mesmo motivo: a preocupação de quebrar a expectativa do outro a respeito daquilo que eu sou, que minha filha é, que meu filho é. É difícil enterrar as expectativas porque temos medos de não sermos aceitos, validados.

Uma mulher que tentou ter filhos e não teve, ela também gera desconforto. E não estou comparando dores, mas os lutos existem e precisam ser entendidos”, finalizou.   O vídeo completo está disponível no canal do Youtube do Instituto Nacional de Nanismo (INN)