Com cinema, música e afroempreendedorismo, 2º Festival Diaspóricas reúne a produção de mulheres negras em Goiânia, de 12 a 14 de novembro

Programação gratuita no Centro Cultural UFG inclui mostras de curtas e videoclipes, formação no audiovisual, debates, nove shows e a Feira Anadir Cezario de Afroempreendedoras

Goiânia recebe, de 12 a 14 de novembro, a 2ª edição do Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra, iniciativa que reúne cinema, música, formação e afroempreendedorismo para valorizar a produção artística de mulheres negras. Com programação gratuita no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG), o evento promove três dias de exibições audiovisuais, apresentações musicais, oficinas, debates e atividades voltadas ao fortalecimento das redes profissionais da economia criativa.

Realizado pela Coletiva Diaspóricas, em correalização com a Aniz Produções e o Labamba Estúdio, o festival acontece com recursos do Programa Goyazes do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e coloca a produção artística de mulheres negras no centro de sua programação. A 2ª edição amplia a duração do evento e articula diferentes linguagens para promover visibilidade, formação profissional, circulação de obras e geração de renda, conectando artistas, realizadoras, empreendedoras e o público.

Para Ana Clara Gomes, diretora e idealizadora do festival, Goiânia passa a ter um espaço anual de consolidação do cinema negro e das artes produzidas por mulheres negras, onde a cultura afrogoiana é evidenciada como protagonista na luta cotidiana de superação estrutural do racismo e do sexismo. Para ela, a 2ª edição do festival cresce não só em programação, mas na capacidade de articular múltiplos setores da cultura para valorizar a economia criativa, pensando em políticas públicas voltadas à valorização do trabalho de mulheres negras.

Carro-chefe do festival, o cinema ocupa lugar central na programação, com mostras que reúnem produções de diferentes regiões brasileiras. A Mostra Marta Cezaria de Curtas-Metragens, de caráter competitivo, apresenta filmes dirigidos por mulheres negras e contempla diferentes gêneros, como ficção, documentário e experimental. As obras concorrem nas categorias de Melhor Filme, escolhido pelo júri popular, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora.

Entre os títulos programados estão Domingo, de Day Sena; Cidão, de Alê Gama; Beira, de Marcela Bonfim; A Cor da Patroa, de Milena Anjos; Barulho, de Karen Suzane; e Radiola da Promessa, de Gê Viana. As sessões serão realizadas nos dias 12 e 13 de novembro, acompanhadas de atividades de diálogo com o público e de valorização das trajetórias das realizadoras.

A programação audiovisual inclui ainda a Mostra Pertinências e Pertenças, com cinco filmes, e a Mostra Ibejis de Filmes Infantis, dedicada a produções para o público infantil. No dia 14, o festival também apresenta uma Mostra de Videoclipes com sete obras, entre elas Corredeiras, de Josyara, com direção de Juh Almeida; Vá, Canarinho, de Bule Bule, dirigido por Fernanda Maia; e Cabokla, de Conceição de Marianna, com direção de Akira de Moraes.

Nos dias 12 e 13/11, as cineastas Juh Almeida e Glenda Nicácio ministram oficinas sobre direção de videoclipes e narrativas próprias. A programação de debates inclui o painel de abertura, “Cinema Negro Feminino: Filmar memórias, disputar o presente e imaginar futuros”, com participação de Juh Almeida, Renata Fortes e mediação de Ana Clara Gomes, e a conversa “Cinema como Política de Encantamento”, com Glenda Nicácio e Renata Diniz.

No último dia, o festival promove o painel “Cinema negro no centro e estratégias de rede”, integrado ao 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás, com participação de Raylson Chaves, representando a Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), e mediação de Camila Nunes. A iniciativa busca fortalecer a articulação entre profissionais e ampliar estratégias para a valorização do cinema negro no Centro-Oeste.

A programação inclui ainda o lançamento de livro e um painel de autoras em torno das obras Cinemateca Negra, com Bethania Maia, e Cinema Negro no Feminino, com Ceiça Ferreira, em conversa mediada por Jordana Barbosa. A agenda se completa com uma roda de conversa com cineastas e uma atividade realizada junto ao Mercado SAPI sobre conexões de mercado e distribuição do cinema negro.

Palco Afrogoianidades e Afroempreendedorismo

O festival também transforma Goiânia em espaço de encontro para diferentes expressões da música negra brasileira. O Palco Afrogoianidades reúne nove apresentações musicais ao longo dos três dias, com artistas regionais e nacionais que transitam por gêneros e tradições diversas.

Entre as atrações estão Marlene Souza Lima Trio, Ana Maria Carvalho, Malía, Célia Sampaio – a Dama do Reggae, Martinha do Coco, Diana do Sertão, grupo Candombá, Kaemy e Conceição de Marianna. Os shows acontecem nos palcos externo e interno do CCUFG, aproximando o público de diferentes sonoridades e trajetórias da música brasileira.

A programação estabelece conexões entre artistas contemporâneas e mestras da cultura popular, valorizando a diversidade das tradições afro-brasileiras e a presença das mulheres negras na criação musical.

Além das atividades artísticas, o Festival Diaspóricas aposta no fortalecimento da economia criativa por meio da Feira Anadir Cezario de Afroempreendedoras, que acontece nos três dias do evento. O espaço reúne negócios liderados por mulheres negras nos segmentos de gastronomia, artesanato, vestuário e serviços voltados ao bem-viver, ampliando as possibilidades de circulação de produtos, troca de experiências e geração de renda.

A feira também contará com atividades de recreação infantil, criando um ambiente de acolhimento para famílias. A programação inclui ainda pílulas de literatura com Jordana Barbosa, oficinas e encontros voltados à formação e à articulação profissional.

A iniciativa conta com a parceria do Sebrae em atividades formativas direcionadas ao afroempreendedorismo, aproximando a produção cultural das estratégias de desenvolvimento de negócios.

Com uma equipe técnica majoritariamente negra e feminina, o Festival Diaspóricas reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade cultural brasileira e com o fortalecimento das redes de mulheres negras no cinema, na música e no empreendedorismo.

Coletiva Diaspóricas
A Coletiva Diaspóricas é uma organização da sociedade civil formada majoritariamente por artistas negras, dedicada à inclusão produtiva, à capacitação profissional e à geração de renda para mulheres nos setores do audiovisual, da música e do afroempreendedorismo.

Sua trajetória começou em 2022, com uma série audiovisual sobre musicistas negras que enfrentam o racismo e o sexismo por meio da música. O projeto se expandiu para diferentes linguagens e deu origem a dois longas-metragens premiados nacional e internacionalmente, além de pesquisas acadêmicas, shows, oficinas e cine-debates em cidades brasileiras. Todas as ações da Coletiva são gratuitas e voltadas ao fortalecimento da autonomia econômica das mulheres negras nas artes.